As praças são espaços bastante apreciados nas cidades e, muitas vezes, carregam anos e até séculos de história. Quando ocorreu o surgimento delas, eram consideradas locais de comércio, socialização, troca de conhecimento e de rituais em diversos tempos da história do mundo. Atualmente são ocupadas com árvores e jardins e são usadas para passeios, cultura e esporte.

De toda forma, elas fazem parte do crescimento das cidades e carregam diversas curiosidades. Confira 6 delas e aprenda um pouco mais sobre o surgimento de praças, ambientes que fazem parte da vida de muitas pessoas!

1. As primeiras praças surgiram na Grécia Antiga

Você já parou para pensar sobre o surgimento de praças e por que elas existem? O termo remete à palavra platea, que significa alargamento. A origem do espaço, segundo os historiadores, está na Grécia Antiga. Naquela época, do surgimento do pensamento filosófico e da constituição de uma sociedade organizada, era necessário um lugar para reunião das pessoas para que juntas pudessem tomar decisões, conversar e promover momentos de reflexão.

Os gregos chamavam-nas de ágora e a principal função era a transmissão de conhecimento e cultura, além das decisões políticas. Por conta da sua importância, esses ambientes eram bem planejados, frequentados e bem cuidados. Na sociedade romana, as praças eram chamadas de Fórum e, como as cidades eram a união de vários povos, esses locais foram usados para assembleias, disputas atléticas e gladiadoras. Tinha também a função de comércio e encontros religiosos.

2. A função da praça mudou ao longo da história

As funções das praças nem sempre foram as mesmas. Esta ideia de área de encontro das pessoas, com fins culturais, políticos e comerciais, não prevaleceu na Idade Média. Nesse período, elas eram espaços de execuções, funerais e ritos religiosos. Eram ambientes com menor trato estético, muitas vezes só com pessoas indo e vindo.

Posteriormente, no período renascentista, voltam a ganhar trato estético, incentivado também pelo avanço das artes e do novo modo de vida, com a burguesia em ascensão. Além da função comercial, agora aconteciam relações sociais e culturais nesses lugares.

Antigamente, sempre que surgia uma cidade, existia também uma praça. Isso acontecia porque as pessoas necessitavam fazer comércio e se relacionar. É por isso que, em cidades maiores, é comum a área ser rodeada de edificações comerciais e também de estruturas públicas como Prefeituras, Câmaras Municipais, etc. A ideia sempre foi atender uma demanda da sociedade e, só depois, em meados do século XIX, é que elas assumiram papel unicamente social e estético.

3. As praças da igreja sempre existiram

É muito comum vermos as praças da Igreja. Você sabia que esse conceito é muito antigo e, no Brasil, sempre existiu? Acontece que, quando os europeus chegaram nessas terras, a Igreja tinha um importante papel na sociedade, influenciando na própria organização dela. Então, o espaço social em frente à Igreja era necessário, assim como em frente a Mercados Municipais.

Segundo Mauro Font, entre os séculos XIX e XX, a praça brasileira passa a abrigar elementos simbólicos. Isso significa que esse lugar era moldado de acordo com os interesses das classes dominantes, seja por benefícios políticos, religiosos ou culturais. Isso explica porque é comum existirem praças próximas ou em frente as igrejas mais antigas e porque elas surgiam: responder aos interesses da classe com maior poder na sociedade da época.

4. A praça já foi ambiente de segregação

Outra curiosidade sobre este local é que as praças já foram consideradas ambientes de segregação. Se hoje as vemos como áreas públicas, que podem ser utilizadas por todos, e que, muitas vezes, é ocupado por moradores de rua, já houve um tempo em que as praças eram frequentadas apenas pela elite da sociedade.

Os historiadores Robba e Macedo contam que, no ano de 1779, foi construído o Passeio Público do Rio de Janeiro, com jardins e paisagismo para a elite carioca passear. Esse espaço impulsionou a criação de outros parecidos por todo o país, surgindo, então, os jardins públicos, lugares bonitos para as pessoas circularem, expulsando a população mais pobre para outras áreas da cidade.

De qualquer forma, essas praças ajardinadas alteraram o desenho urbanístico da cidade, pois a população passou a valorizar a utilização de plantas e jardins na paisagem urbana, inclusive utilizando-as nas próprias casas. Até hoje, em muitas cidades, é nessas áreas onde existe um pouco de natureza e paisagismo em meio às construções de concreto.

5. Existem três tipos de praças

Quem viaja por várias cidades do país, já percebeu os diferentes modelos de praças existentes, não é mesmo? Existem três tipos: as úmidas, as mistas e as secas.

As praças úmidas são aquelas com grande presença de arborização. Seu surgimento tem relação com a criação dos passeios e jardins públicos no final do século XVIII, quando estes espaços não eram mais usados apenas para fins comerciais, mas também para encontro social da elite brasileira. No entanto, hoje em dia consideram-se úmidas aquelas com pouca pavimentação e que, muitas vezes, são lugares de preservação da natureza no cenário urbano.

As formações mistas são as que apresentam pavimentação e arborização, assim como os passeios públicos. São bastante comuns, pois apresentam padrão estético, paisagismo e embelezamento da cidade. Além disso, têm função de proporcionar um caminhar mais confortável, pela sombra das árvores, que ainda absorvem gás carbônico e liberam oxigênio, contribuindo para a diminuição da poluição.

Por fim, existem as praças secas, que não apresentam arborização e são as mais antigas, com a função original ainda mantida hoje em dia. No Brasil, elas apareceram com intensidade após o século XIX e com o movimento moderno de arte, em que os arquitetos trouxeram esse conceito das cidades europeias. A ideia era que o local fosse usado para arte e cultura, evidenciando monumentos, uma estética minimalista e elementos de concreto.

6. Existem formas de se incentivar o uso das praças

O grande problema das praças hoje em dia é a sua subutilização. Elas tornam-se espaços vazios, por onde as pessoas apenas passam, sem frequentar o ambiente para atividades esportivas, culturais e outras. A sensação de insegurança ou a manutenção precária, acabam por incentivar o esvaziamento desses locais. Então, para evitar isso no seu bairro, que tal incentivar o uso de diferentes formas?

Os projetos de criação das Academias da Terceira Idade têm sido utilizados como instrumentos de reapropriação das praças. Além disso, eventos culturais, como shows, teatros, festas e outras programações podem ser realizados. A própria associação de moradores pode solicitar melhor manutenção e também viabilizar a realização de eventos culturais, de esporte e socialização.

Como você viu, o surgimento de praças está relacionado ao modo de vida das pessoas ao longo da história. Essas curiosidades ajudam a entender como esses locais chegaram ao modo como são hoje e também oferecem ideias para solucionar o esvaziamento das praças em muitos locais.

Seu bairro possui praças que estão subutilizadas e até sendo ocupadas por moradores de rua? Então, saiba agora como lidar com a situação deles no seu bairro.