Monumentos e muros pichados, veículos danificados, lixeiras quebradas: a depredação de espaços e de objetos públicos ou privados são exemplos de que as ocorrências de vandalismo no país — e no mundo todo — estão em alta.

Muitas vezes, essa atitude negativa é mais explícita em bairros abandonados ou marginalizados, por isso, é erroneamente associada às pessoas que vivem nesses locais. O problema da insegurança, no entanto, tem sido rotina na maioria das cidades e capitais brasileiras.

Segundo a Prefeitura de Porto Alegre-RS, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) da cidade gasta mais de R$ 500 mil por ano para repor  placas de trânsito que foram alvos de vandalismo — fora o perigo causado pelos danos à sinalização, que pode acarretar, até mesmo, emacidentes fatais. Já em Santarém, no estado do Pará, a prática de vandalismo tem causado sérios detrimentos financeiros à prefeitura local.

Ou seja, do norte ao sul do país, os atos de vandalismo representam um enorme desafio para o poder público e para a sociedade de modo geral. Quer entender mais sobre o assunto? Então, continue a leitura!

O papel do poder público

Os atos de vandalismo interferem e causam transtornos na vida de grande parte da população, principalmente quando os alvos dos ataques são prédios e patrimônios públicos — como parques, praças, ginásios, escolas, etc. — ou itens essenciais como lâmpadas, orelhões, placas de trânsito, entre outros.

Por isso, é fundamental que o poder público invista em melhorias em infraestrutura e segurança, assim como empreenda ações educativas com o objetivo de solucionar (ou ao menos amenizar) o problema — como a criação de campanhas de conscientização, elaboração de planos de segurança e desenvolvimento de políticas de prevenção ao crime. 

Além disso, é papel do poder público mobilizar a população para que cada cidadão atue como um agente social, prezando pelo bem-estar de todos e pela preservação dos espaços públicos e privados.

Alguns projetos sociais de organizações não governamentais são ótimos exemplos de cidadania. Diante de tantos casos de vandalismo ambiental ocorridos na cidade, a ONG Ágape, de Iracemápolis, interior de São Paulo, decidiu promover ações de conscientização com as crianças — entre elas, o plantio voluntário de mudas de árvores.

Há também o exemplo da ONG Grupo Ecológico Vida Verde, de Cornélio Procópio, Paraná. Ao perceberem que muitos cidadãos estavam retirando cascas de árvores para o preparo de medicamentos caseiros, os integrantes do grupo pediram que a prefeitura realizasse uma campanha para conscientizar a população sobre os danos causados pela depredação.

Além disso, a própria ONG possui um programa de educação ambiental direcionado para os estudantes da rede pública de ensino.

Com todas essas ações, você já parou para pensar no que leva uma pessoa a cometer atos de vandalismo em nosso bairro, cidade, país ou qualquer parte do mundo? Confira a seguir:

Um teste de vandalismo

Alguns estudos e testes sociais evidenciam que a falta de prevenção e de cuidado com um local é o que mais influencia uma pessoa a cometer vandalismo, e não seu nível social.

Um experimento importante sobre o tema aconteceu nos EUA, no final dos anos 60. Pesquisadores da Universidade Stanford abandonaram dois carros em lugares diferentes: um no Bronx (Nova Iorque), onde havia alto índice de criminalidade, e o outro em Palo Alto (Califórnia), zona rica e tranquila.

Em poucos dias, o carro deixado no Bronx foi vandalizado, já o outro veículo seguiu intacto. Até este ponto, parece que o nível socioeconômico das pessoas era o fator determinante para que o vandalismo ocorresse.

No entanto, algumas semanas depois, os pesquisadores quebraram uma janela e fizeram outras interferências no carro deixado em Palo Alto. Em poucos dias, o veículo também estava totalmente vandalizado.

O objetivo desses pesquisadores era demonstrar que, mesmo em um bairro nobre, a presença de algum tipo de degradação desperta uma atitude vândala. Isso porque as pessoas deduzem que, naquele local, não há punição nem preocupação em manter a ordem.

Tal comportamento é explicado por uma teoria que se chama Determinismo Ambiental. Segundo ela, o ambiente determina o comportamento do indivíduo que ali habita.

Assim, um papel no chão de um trem é indicativo de local descuidado — o que faz com que outra pessoa também atire um papel no chão, entendendo que esse é o “normal” daquele ambiente.

A poluição visual das grandes cidades — causada pelo excesso de materiais de publicidade — também colabora para a criação desse caos ambiental. Por esse motivo, é tão comum visualizarmos vandalismo e poluição visual lado a lado.

A teoria das janelas quebradas

O experimento com os carros ajudou na criação de uma teoria publicada nos anos 80 por especialistas em criminologia. Eles exemplificaram o mesmo conceito do teste, mas, agora, demonstrando como uma fábrica com uma janela quebrada começou, em pouco tempo, a sofrer depredação.

A lógica por trás dessa teoria prega que, para combater o vandalismo, o ideal seria evitar a desordem, já que ela acaba gerando ainda mais desorganização, independentemente de onde seja.

A política de tolerância zero

A teoria das janelas quebradas embasou uma política de segurança em Nova Iorque conhecida como “tolerância zero”. Nos anos 90, a cidade foi governada por Rudolph Giuliani, que determinou que qualquer ato de violência, vandalismo e destruição — mesmo que não fosse tão grave — deveria ser punido com a prisão do envolvido e os danos corrigidos em até 24 horas.

Por conta dessa política, os índices de criminalidade diminuíram drasticamente e muitas áreas conseguiram ser revitalizadas. Isso fez com que Giuliani fosse reconhecido mundialmente como referência no combate e controle da violência.

Algumas das medidas previstas por sua política de tolerância zero eram:

  • limpeza e conservação dos ambientes;
  • inibição do consumo de álcool em público;
  • fiscalização para prevenção de delitos;
  • formação e melhores salários dos policiais;
  • combate ao tráfico de drogas e tratamento de dependentes;
  • eficiência nas condenações.

A partir de ações como essas, foi mais fácil manter a ordem nos bairros da cidade, o que influenciou as pessoas a conservarem o espaço físico e prezarem pela tranquilidade.

A conclusão é que em um local sem “janelas quebradas” não acontecem atos mais graves — como estacionar em local proibido, incomodar os vizinhos, cometer um furto ou realizar um assalto à mão armada.

Infelizmente, essa política foi distorcida na prática por algumas pessoas, desencadeando atitudes como abusos de poder por parte dos policiais, condenações desproporcionais à gravidade dos delitos ou exagero no uso de medidas punitivas em vez de corretivas.

Ainda assim, tanto a teoria das janelas quebradas quanto a política de tolerância zero nos trazem uma importante lição: combater o vandalismo e proporcionar segurança e bem-estar social a todas as pessoas é essencial para barrar o crescimento da criminalidade.

A responsabilidade dos políticos eleitos

Na luta contra os atos de vandalismo, destacamos a importância da participação do poder público e da população de modo geral — além da atuação policial, claro —, mas, e quanto à responsabilidade dos políticos eleitos?

É fundamental que ocorra o envolvimento direto do poder executivo municipal na realização de políticas de prevenção e repressão ao crime, principalmente por parte de vereadores.

Além de fiscalizarem a aplicação de recursos públicos municipais, eles podem propor ações e projetos de lei que tenham como objetivo a coibição desse tipo de criminalidade.

Compreender a dinâmica das ocorrências na cidade, realizar diagnósticos, elaborar planos municipais de segurança comunitária, envolver a sociedade nessa luta, enfim, é papel de cada vereador atuar de maneira significativa nesse importante quesito — a segurança e o bem-estar da população.

Um exemplo é a criação de canais de comunicação, como o Atendimento ao Cidadão 156 viabilizado em Porto Alegre. O serviço foi criado com o objetivo de receber e encaminhar as manifestações da sociedade sobre as mais diversas atividades públicas municipais.

Agora, queremos saber a sua opinião. Deixe um comentário no post com suas considerações sobre os atos de vandalismo e participe da discussão!