Monumentos e muros pichados, carros arranhados, lixeiras públicas quebradas: a depredação de espaços e de objetos públicos ou privados são exemplos de vandalismo.

Muitas vezes, essa atitude negativa é mais explícita em bairros abandonados ou marginalizados e, por isso, é erroneamente associada às pessoas que vivem nesses locais.

Porém, o vandalismo pode ocorrer em qualquer lugar e pode ser praticado por pessoas de todas as classes sociais. Quer entender melhor esse assunto? Então continue a leitura!

Um teste de vandalismo

Alguns estudos e experimentos sociais evidenciam que a falta de prevenção e de cuidado com um local é o que mais influencia uma pessoa a cometer vandalismo, e não seu nível social.

Um experimento importante sobre o tema aconteceu nos EUA no final dos anos 60. Pesquisadores da Universidade Stanford abandonaram dois carros em lugares diferentes: um no Bronx (Nova Iorque), onde havia alto índice de criminalidade, o outro em Palo Alto (Califórnia), zona rica e tranquila.

Em poucos dias, o carro deixado no Bronx foi vandalizado, já o outro veículo seguiu intacto. Até este ponto, parece que o nível socioeconômico das pessoas era o fator determinante para que o vandalismo ocorresse.

Porém, algumas semanas depois, os pesquisadores quebraram uma janela e fizeram outras interferências no carro deixado em Palo Alto. Em poucos dias, esse carro também estava totalmente vandalizado.

O objetivo desses pesquisadores era demonstrar que, mesmo em um bairro nobre, a presença de algum tipo de degradação desperta uma atitude vândala, pois as pessoas deduzem que, naquele local, não há punição nem preocupação em manter a ordem. Este comportamento é explicado por uma teoria que se chama Determinismo Ambiental, segundo a qual, o ambiente determina o comportamento do indivíduo que ali habita. Assim, um papel no chão de um trem é indicativo de ambiente descuidado o que, desta forma, faz com que outra pessoa também atire um papel no chão, entendo que este é o “normal” daquele ambiente. 

A Poluição Visual das grandes cidades, causada pelo excesso de materiais de publicidade, também colabora para a criação deste “caos ambiental”. É comum vermos vandalismo e poluição visual lado-a-lado, como na foto que ilustra 

A teoria das janelas quebradas

Esse experimento com os carros ajudou a criar uma teoria publicada nos anos 80 por especialistas em criminologia.

Eles exemplificaram o mesmo conceito do experimento, mas agora demonstrando como uma fábrica com uma janela quebrada começou, em pouco tempo, a sofrer depredação.

A lógica por trás dessa teoria prega que, para combater o vandalismo, o ideal seria evitar a desordem, já que ela gera mais desordem, independentemente de onde seja.

A política de tolerância zero

A teoria das janelas quebradas embasou uma política de segurança na cidade de Nova Iorque conhecida como “tolerância zero”.

Nos anos 90, a cidade foi governada por Rudolph Giuliani, que determinou que qualquer ato de violência e destruição, mesmo que não fosse tão grave, deveria ser punido com a prisão do envolvido e os danos corrigidos em até 24h.

Por conta dessa política, os índices de criminalidade diminuíram drasticamente e muitas áreas conseguiram ser revitalizadas. Isso fez com que Giuliani fosse reconhecido mundialmente como referência no combate e controle da violência.

Algumas das medidas previstas por sua política de tolerância zero eram:

  • limpeza e conservação dos ambientes;

  • inibição do consumo de álcool em público;

  • fiscalização para prevenção de delitos;

  • formação e melhores salários dos policiais;

  • combate ao tráfico de drogas e tratamento de dependentes;

  • eficiência nas condenações.

A partir de ações como essas, foi mais fácil manter a ordem nos bairros da cidade, o que influenciou as pessoas a conservarem o espaço físico e prezarem pela tranquilidade.

A conclusão é que em um local sem “janelas quebradas” não acontecem atos mais graves, como estacionar onde não se deve, incomodar os vizinhos, cometer um furto ou assaltar à mão armada.

Infelizmente, essa política foi distorcida na prática por algumas pessoas, desencadeando atitudes como abusos de poder por parte dos policiais, condenações desproporcionais à gravidade dos delitos ou exagero no uso de medidas punitivas em vez de corretivas.

Ainda assim, tanto a teoria das janelas quebradas quanto a política de tolerância zero trazem uma importante lição: combater o vandalismo e proporcionar bem-estar social a todas as pessoas é essencial para barrar o crescimento da criminalidade.

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